Sobre a comunidade
Mumbuca é literalmente uma grande
família que nasceu da miscigenação
de índios e negros. As famílias se
misturam e todos passam a ter algum
grau de parentesco. O povoado é
muito acolhedor e recebe os
visitantes com música e alegria.
Homens e mulheres têm papéis
definidos na comunidade. Os homens
cuidam do plantio da mandioca, da
batata, do feijão, do arroz, do
milho, da banana, do maxixe e da
abóbora. As mulheres realizam a
colheita e a preparação da farinha,
além de produzirem as peças
artesanais de capim dourado.

Existem hortas familiares e
comunitárias. Também podem ser
encontradas pequenas criações de
porcos, galinhas e gado. Os peixes
da região são: o piabanha, o jaú, o
cachorra e o barbado.
Existe uma associação de artesãs que
se organizam para produzir e
comercializar as peças artesanais de
capim dourado. A colheita do capim é
feita de 20 de setembro até o início
das chuvas em novembro. A comunidade
de Mumbuca respeita as técnicas de
manejo sustentável do capim, embora
existam pessoas da região
infringindo as leis e colhendo o
capim fora de época. O desafio para
eles é grande, já que são a
comunidade pioneira na arte do capim
dourado e sabem da importância da
sua preservação.

É marcante em Mumbuca a presença
feminina na liderança organizada. As
mulheres presidem a Associação do
Capim Dourado, realizando o controle
da venda e da distribuição das
verbas oriundas do artesanato.
A tradição do artesanato com o capim
dourado tem sido passada de geração
para geração. Guilhermina Ribeiro da
Silva, a dona Miúda, conta que sua
mãe aprendeu as técnicas com os
índios. Além do capim dourado, as
artesãs utilizam a palha de buriti
(outra espécie local) para tecer os
produtos.
A alternativa econômica está
ajudando a população, uma das mais
pobres de toda a região, mas precisa
ser administrada com cuidado para
preservar a natureza local. A venda
de artesanato é a atividade que mais
contribui para a geração de renda,
mas eles também praticam a
agricultura de subsistência e geram
alguns recursos com o turismo.

Os problemas que a comunidade aponta
estão relacionados à questão da
educação, da energia e da melhoria
de acesso.
Uma jovem da comunidade, a Ana
Cláudia, neta de Dona Miúda lidera o
Projeto Amiguinhos da Natureza. Este
projeto ensina o respeito pela
natureza e as tradições locais. Ela
demonstra uma grande preocupação em
preservar e resgatar a identidade do
Povoado de Mumbuca.
Histórico
No início do século XX a comunidade
era bastante isolada e seus
habitantes andavam quatro dias para
chegar a cidade mais próxima, Porto
Nacional.
O interessante é que esta comunidade
foi formada a partir do encontro dos
negros, que migraram do sertão
baiano com os índios da região,
provavelmente os Xerente. Ainda
hoje, existe uma consciência étnica
referenciada nos índios e nos
negros. O artesanato em capim
dourado, ao que tudo indica, surgiu
dessa relação entre índios e negros.
Pessoas locais contam que há muito
tempo o capim dourado é uma fonte de
geração de renda.

Em 2000, houve uma ameaça de Mumbuca
ser desapropriada para o Parque
Naturatins, mas a comunidade se
mobilizou e mais uma vez resistiu as
adversidades e permaneceu no Jalapão.
A comunidade é reconhecida como
comunidade Quilombola pela Fundação
Palmares.
Nesta época, o Vô Dió, o senhor mais
velho da comunidade, disse que só
conseguiriam tirá-lo da terra de
Mumbuca morto, pois ele perdeu os
pais quando criança e, para ele seus
pais são a terra e a natureza do
Jalapão.
Fonte: Sociabilidades Negras -
Comunidades remanescentes,
escravidão e cultura. |