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COMUNIDADE MUMBUCA
A comunidade de Mumbuca fica próxima do município de
Mateiros, no Estado de Tocantins. A comunidade é formada
por 165 moradores, em sua maioria descendentes de
escravos que saíram da Bahia em 1909 buscando melhores
condições de vida.
A expressão indígena "mumbuca" refere-se a um tipo de
abelha azul muito comum nessa região.
Principais
atividades
-
Artesanato
-
Agricultura
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Turismo
Sobre a
comunidade
Mumbuca é literalmente uma grande família que nasceu da
miscigenação de índios e negros. As famílias se misturam
e todos passam a ter algum grau de parentesco. O povoado
é muito acolhedor e recebe os visitantes com música e
alegria.
Homens e mulheres têm papéis definidos na comunidade. Os
homens cuidam do plantio da mandioca, da batata, do
feijão, do arroz, do milho, da banana, do maxixe e da
abóbora. As mulheres realizam a colheita e a preparação
da farinha, além de produzirem as peças artesanais de
capim dourado.
Existem hortas familiares e comunitárias. Também podem
ser encontradas pequenas criações de porcos, galinhas e
gado. Os peixes da região são: o piabanha, o jaú, o
cachorra e o barbado.
Existe uma associação de artesãs que se organizam para
produzir e comercializar as peças artesanais de capim
dourado. A colheita do capim é feita de 20 de setembro
até o início das chuvas em novembro. A comunidade de
Mumbuca respeita as técnicas de manejo sustentável do
capim, embora existam pessoas da região infringindo as
leis e colhendo o capim fora de época. O desafio para
eles é grande, já que são a comunidade pioneira na arte
do capim dourado e sabem da importância da sua
preservação.
É marcante em Mumbuca a presença feminina na liderança
organizada. As mulheres presidem a Associação do Capim
Dourado, realizando o controle da venda e da
distribuição das verbas oriundas do artesanato.
A tradição do artesanato com o capim dourado tem sido
passada de geração para geração. Guilhermina Ribeiro da
Silva, a dona Miúda, conta que sua mãe aprendeu as
técnicas com os índios. Além do capim dourado, as
artesãs utilizam a palha de buriti (outra espécie local)
para tecer os produtos.
A alternativa econômica está ajudando a população, uma
das mais pobres de toda a região, mas precisa ser
administrada com cuidado para preservar a natureza
local. A venda de artesanato é a atividade que mais
contribui para a geração de renda, mas eles também
praticam a agricultura de subsistência e geram alguns
recursos com o turismo.
Os problemas que a comunidade aponta estão relacionados
à questão da educação, da energia e da melhoria de
acesso.
Uma jovem da comunidade, a Ana Cláudia, neta de Dona
Miúda lidera o Projeto Amiguinhos da Natureza. Este
projeto ensina o respeito pela natureza e as tradições
locais. Ela demonstra uma grande preocupação em
preservar e resgatar a identidade do Povoado de Mumbuca.
Histórico
No início do século XX a comunidade era bastante isolada
e seus habitantes andavam quatro dias para chegar a
cidade mais próxima, Porto Nacional.
O interessante é que esta comunidade foi formada a
partir do encontro dos negros, que migraram do sertão
baiano com os índios da região, provavelmente os
Xerente. Ainda hoje, existe uma consciência étnica
referenciada nos índios e nos negros. O artesanato em
capim dourado, ao que tudo indica, surgiu dessa relação
entre índios e negros. Pessoas locais contam que há
muito tempo o capim dourado é uma fonte de geração de
renda.
Em 2000, houve uma ameaça de Mumbuca ser desapropriada
para o Parque Naturatins, mas a comunidade se mobilizou
e mais uma vez resistiu as adversidades e permaneceu no
Jalapão. A comunidade é reconhecida como comunidade
Quilombola pela Fundação Palmares.
Nesta época, o Vô Dió, o senhor mais velho da
comunidade, disse que só conseguiriam tirá-lo da terra
de Mumbuca morto, pois ele perdeu os pais quando criança
e, para ele seus pais são a terra e a natureza do
Jalapão.
Fonte: Sociabilidades Negras - Comunidades
remanescentes, escravidão e cultura.
CONFIRA UM POEMA SOBRE A COMUNIDADE E MAIS INFORMAÇÕES
SOBRE A COMUNIDADE E O CAPIM DOURADO EM NOSSO BLOG -
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